A Ocupação de Chapada dos Guimarães no Período Col

Jorge Belfort Mattos Jr.

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL

DE MATO GROSSO

 

DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM

HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA

DE MATO GROSSO

ORIENTADORA: NEUSA MARIA BINI

ROSA

CUIABÁ-1983.

Aos meus pais e

para Aynore que

vive nos paredões

de Chapada.

 

AGRADECIMENTOS

Maria Augusta Campos

Alcir Lenharo

José Guilherme Ayres Lima

Adão “do Intermat”

Padre Gregório, vigário de Chapada

Diretoria do EEPSG Cel Rafael de

Siqueira

Diretoria da Escola Evangélica do

Buriti

Neusa Maria Bini Rosa

População Chapadense em Geral

 

PERÍODO COLONIAL

ÍNDICE

 

 

Introdução..............................................................06

Pré Chapada e a Ocupação inicial...........................07

A Expansão do Comércio e da Agricultura.............08

As Brigas com os índios.........................................09

Os Novos Caminhos..............................................09

O Aumento da Circulação......................................10

A Economia de 1719 a 1750...................................10

O Abastecimento Urbano.......................................11

A Expansão do Mercantilismo Local......................11

A Repressão Portuguesa.........................................11

 

 

2* MOMENTO (1751-1822)

 

A Criação da Capitania de Mato Grosso.................12

A Missão Jesuíta na Chapada.................................13

A Produção Interna................................................14

As Crises no Abastecimento e o Gado....................14

A Aldeia e a Crise..................................................14

O índio na Construção da Nova Matriz..................15

A Estrutura de Dominação ....................................16

A Fixação Definitiva..............................................17

Conclusão.............................................................17

 

ANEXO I - Citações/Mensagens de Barão de Melgaço.........18

ANEXO II - Relação de Alguns Dados Sobre Casamentos

em Chapada dos Guimarães em 1798 e 1799........................19

ANEXO III - Relação de Mapas Pesquisados.......................20

ANEXO IV - Cópia de uma Carta de Sesmaria do Buriti datada

de 25 de junho de 1726........................................................21

Fontes das Citações.............................................................22

Bibliografia de Apoio...........................................................24

Revistas e Avulsos/Fontes Primárias....................................25

 

 

PRÉ-CHAPADA

INTRODUÇÃO

O presente trabalho foi decorrência de um curso de especialização em “História e Historiografia de Mato Grosso”, promovido pela Fundação Universidade Federal de Mato Grosso,em 1982/1983 em Cuiabá,e tem como objeto o estudo da ocupação da região de Chapada dos Guimarães no período colonial,situa-la em um contexto regional da economia matogrossense.

A razão da escolha deste título foi a precariedade de informações que dificulta a explanação do assunto para colegiais, e a necessidade de um maior conhecimento histórico do processo de ocupação de uma região que hoje encontra-se em descaracterização causada pela especulação imobiliária,e pela devastação de suas matas e caminhos; vão acabar por destruir todos os sinais de um momento histórico muito importante para compreender todo o mecanismo de dominação da região matogrossense pelo sistema capitalista.

As fontes de pesquisa foram as revistas do Instituto Histórico de Mato Grosso, cujos autores de artigos remetem informações sobre a região, cartas e ofícios publicados pela Revista do Arquivo Público de Mato Gros­so,que demonstram as tramitações oficiais à respeito de Chapada; no Instituto de Terras de Mato Grosso tive o prazer de contar com a colaboração de funcionários do setor de “pesquisa” e “arquivo” que me auxiliaram a entender a grafia do originais das cartas de doações de sesmarias,e com isso obter informações à respeito da utilização do solo e o período de ocupação efetiva da região em estudo,enriquecendo de sobremaneira os dados. As infor­mações sobre miscigenações e cruzamentos sociais foram consegui­dos nos livros de registros da Igreja de Santana de Chapada.

O embasamento teórico do momento colonial e do circulacionismo matogrossense foi conseguido através dos eficientes trabalhos contemporâneos de Alcir Lenharo, Luíza Rios Ricci Volpato e Carlos Rosa, todos com importantes dados sobre Mato Grosso; trabalhos mais específicos sobre Chapada, foram pesquisados em duas obras,de João Eloy Souza Neves e Martha Johana Haug, respectivamente.

O trabalho está dividido numa primeira parte, onde é abordada a situação de 1719 até 1751, período que foi extremamente marcado pela autonomia dos comerciantes (Bandeirantes) que moldaram a bel prazer e a revelia da Côrte um sistema mercantil que beneficiava exclusivamente os interesses locais. A segunda parte foi após a vinda de Dom Rolim de Moura, e da divisão da Capitania de São Paulo com Mato Grosso.Fato este que influenciou diretamente a criação de uma Missão Jesuíta em Chapada dos Guimarães, para a redução de índios, onde hoje é o bairro de Aldeia Velha, que ainda em 1779 foi transladada para onde hoje é o centro da cidade, devido à construção de uma nova Matriz ainda em 1779, originando na época uma recuperação na economia local, abalada, desde a expulsão dos padres Jesuítas pelo Marquês de Pombal.

Este relato nos proporciona uma visão do desenrolar da ocupação desta região num período de conquista de fronteiras econômicas e políticas, fixando irredutivelmente um modo de produção importado da Europa.

A orientação ficou à cargo de Neuza Bini Rosa,que me deu conselhos geniais, e acudiu-me quando foi necessário,contando também com a ajuda de vários amigos para a obtenção de bons materiais de pes­quisas.

A região onde hoje é denominada Chapada dos Guimarães foi território de passagem de várias nações americanas, que de um modo ou de outro,deixaram sem dúvida sinais importantes gravados. Muitos povos já utilizavam esta região para rituais de passagem, principalmente sabendo aproveitar para a produção de alimentos, a vocação natural da região.Diversos pesquisadores conhecem os vários tipos de inscrições rupestre em diferentes locais  e da mais diversificada técnica. Sempre feitas em lugares de excepcionais belezas cênicas.Havendo inclusive resgates orais sobre o suposto significado destas inscrições que se dilui na história dos povos indígenas, que já previam algum contato interracial racial desde os tempos pré-colombianos (1).

Jean Perié, pesquisador francês, atesta com base em diversos mapas um caminho “natural” ligando a região andina ao Planalto Central Brasileiro. A própria borda do planalto serviria de guia, além de ser uma região farta de caça e águas diversas, e se estende para além da Chapada dos Parecis,atravessando a serra de Santa Bárbara. O mesmo pesquisador reproduziu um mapa intitulado: “Carta Limítrofe do País de Mato Grosso e Cuiabá Desde a Foz do Rio Mamoré até o Lago de Xarayes e seus Adjacentes”. Levantado pelos “officiaes” da demarcação dos reais domínios de sua Fidelíssima. Desde o ano de 1782 até o de 1790. “Correda”(Sic) com as observações astronômicas em todos os locais notáveis. “Este mapa traz um caminho feito por cima das serras que ligam as cidades de Chapada à cidade de Mato Grosso (Hoje Vila Bela da Santíssima Trindade).(3)

A OCUPAÇÃO INICIAL

Na ocasião da chegada dos primeiros bandeirantes ao Mato Grosso, em l.7l8/19, a mesma era disputada ora pelos Boróros ou Caiapós e a região da baixada cuiabana pelos guerreiros Paiaguás. Pascoal Moreira Cabral e sua bandeira, coletaram muito ouro e rapidamente a notícia já se espalhava pelo Brasil, atraindo diversos aventureiros e comerciantes que rapida­mente montaram uma “curriola” numa região denominada Forquilha, próximo a atual cidade de Cuiabá.

Subindo o Rio Coxipó, facilmente se chegava a beira dos paredões da Chapada dos Guimarães e seguindo o mesmo rio, serra acima, o Tenente Coronel Antônio de Almeida Lara, (muitas vezes citado como brigadeiro), um comerciante da cidade de Sorocaba, em São Paulo, se afazendou em 1720, num lugar denominado Burity Monjolinho e, “mostrando muito cabedal, transformou tudo que era inutilidade para abastecer a região das minas do Cuyabá com mantimentos.”

Fundou “uma fazenda de roça, canaviais e criações e se achava com mais de trinta escravos, com os quais beneficiava a dita fazenda”(4). Em 1.726 o Rodrigo Cézar de Menezes, chefe da Capi­tania de São Paulo, doou para o Ten. Cel. Antônio de A. Lara, através de uma carta de sesmaria a região denominada de Burity Monjolinho.

O Brigadeiro Antônio de Almeida Lara foi muito perspicaz em escolher o lugar da fazenda e sem demora instalar uma produção para abastecer a região que recebiam dia a dia mais e mais mineradores e se alastravam por toda baixada cuiabana e, rapidamente, embrenhou-se na burocracia portuguesa, e ao mesmo tempo financiando viagens de explorações.

A EXPANSÃO D COMÉRCIO

 

Um grupo de comerciantes pioneiros que chegaram nas primeira bandeiras, denominado por Carlos Rosa, de “Grupo Hegemônico”(6), dominaram os canais locais de produção e distribuição dominando o mercado local. Segundo o mesmo autor, a preocupação da exploração do Ma­to-Grosso pelo mercantilismo comercial, acabou sedo a principal razão para a sobrevivência da província quando cessaram as lavras auríferos.

Influenciaram também , o apresamento indígena e provavelmente sua utilização como mercadoria, e assinaram sua “sentença de morte” quando cada vez mais estimulavam o comércio interior e a subsis­tência local, atitudes que iam frontalmente contra os interesses lusos. E por outro lado, promoviam o comércio com os espanhóes, na troca da preciosa prata e do gado, tinham atitude de obediên­cia a corte e desempenharam a função de cobradores públicos efi­cientes, sem esquecer, porém de seu lucro próprio.

A AGRICULTURA

   

O Brigadeiro Antônio de Almeida Lara, dinamizou por demais a agricultura de “serra acima”, pois como nos informa José Barbosa de Sá, o Brigadeiro preparou “ duas canoas de guerra e algumas montarias com escravos e alguns homens brancos armados, tudo a sua custa” e após dois meses, trouxeram a cana de Camapuã. Com a produção na região de Chapada, o comercio já fazia presente através do furto da cana, pelos escravos, e sua venda em Cuiabá, a preço de 2 ou 3 oitavas de ouro cada cana.

Já em 1.727, conforme João Antonio Cabral Camelo, constata-se a existência de um engenho na Chapada dos Guimarães.

 

AS BRIGAS COM OS ÍNDIOS

Além do dono de Engenho o Antônio de Almeida Lara, foi o dirigente (7) de várias incursões militares-comerciais. No mesmo livro “Anais de Villa Bela” é descrita uma passagem sucedida no ano de 1.731 no mês de Abril, quando o dito Brigadeiro, montou trinta canoas de guerra e cinqüenta de baga­gens e montarias com quatrocentos homens entre brancos e pretos e pardos, duas peças de artilharia “dous pedreiros de bronze” armas e apetrechos necessário, tudo á custa dos “homens principais” que foram pessoalmente na expedição. Atravessaram a região em que diversos Paiaguás dominavam, e várias vezes o viram de longe. A certa altura cruzaram com os Aycurus que conjuntamente com os Paiaguás travavam uma batalha típica onde os gentios utilizando a mais refinada tática de guerra, utilizaram numa única batalha, tropas a cavalo, em conjunto com as tropas em canoas, mas com os tiros da artilharia, os gentios bateram em retirada, passando a observar os portugueses a grande distância. E até a província de “Assunpção” é relatada a guerra com os Paiaguás.

Em 1.723 existem citações (8) sobre a estada do Brigadeiro Antonio de Almeida Lara na Chapada, mas com a desculpa de “caçar perdizes”.

Uma análise do discurso do José Barbosa de Sá, identifica certas omissões de informações a respeito de que o Brigadeiro Antônio de Almeida Lara foi fazer próximo ás terras da Espanha, provavelmente comerciar com a preciosa prata, e omite até mesmo a fazenda e sua produção na Chapada.

OS NOVOS CAMINHOS

Devido aos excessivos gastos no combate aos Paiaguás e a dificuldade da empreita, aliado com os novos achados em Goyás, é feita uma estrada ligando Cuiabá com Mato Grosso e naturalmente começando em Chapada a dita cuja.

Alcir Lenharo diz: “apesar de (9) nascer em uma época de proibições de abertura de estradas,(10) o caminho da terra de Cuiabá vinha satisfazer a necessidade de que a expansão da mineração acarretaram. Os descobridores de sítios auríferos foram configurando um conjunto territorial, qual as minas matogrossenses constituem parte avançada das investidas dos colo­nos.A ligação terrestre por Goiás, pode ser vista como uma inter-ligação natural de duas regiões que estavam interligadas ao um mesmo conjunto” o “complexo de mineração”. Ainda o mesmo histori­ador afirma”. A expedição organizada para abertura da estrada, foi estimulada pelas autoridades e delegada pelo sertanista Anto­nio Pinho Azevedo...”.(O mesmo que dirigiu uma das canoas que foi a expedição citada anteriormente, na qual o Brigadeiro Antônio de Almeida Lara participou e brigou com os Paiagoás)...” Como outras vezes, o custo da expedição foi pago pela população que levantou o necessário em oitavas de ouro, “e todos concorrerão com a ampla vontade”. O relato ainda descreve a guerra aberta com índio jo­gando tribos contra tribos e a crescente escravização do gentío. Comenta ainda para exterminar o Caiapó, presente em grande parte do trajeto, Angelo Preto comandou um grupo de Bororos’

O AUMENTO DA CIRCULAÇÃO

Em setembro de 1.737 (12) chegaram aqueles que tinham ido descobrir o caminho de Goiás com cavalarias e gados, iniciando-se então uma alternativa muito lucrativa para os comerciantes.

Chapada dos Guimarães passa então a ser passagem de numerosas riquezas mercantis e devido a este caminho, passa a estar mais perto de Cuiabá, e utilizando a mesma estrada para escoar sua “ produção mercantil de abastecimento urbano”. A agricultura (13) do lugar tocada basicamente por população indígena, era bastante diversificada, constante de milho, feijão, mandioca e cana de açúcar. Além de produtora, Chapada torna-se rota também de contrabando de prata via Goiás até o litoral Atlântico, onde navios estrangeiros ancoravam tranqüilamente ou seguiam diretamente para os navios negreiros comerciarem com a África. Pouco a pouco foram sendo ocupados os caminhos que liga­vam á estrada de Goiás, em diversas fazendas e sítios produtores e criadores.

A ECONOMIA DE 1.719 A 1.750

Neste período, o Mato Grosso, teve uma economia voltada para uma evolução da circulação de mercadorias e dirigida por um grupo de comerciantes ávidos (15) em dominar todos os possíveis caminhos econômicos existentes, alguns deslocaram (16) para a região onde acabou-se instalando Villa Bela da Santíssima Trindade, após ter seguido a serra até cruzar com a Bacia do Amazonas, via Guaporé, Madeira e de lá ao Grão-Pará via Manaus.(17).

Havia maior interesse português, na produção mineral do que agropecuário, não só pelo maior valor, como o abastecimento dos mineradores com alimentos, seria uma forte de troca com o ouro, aliás, a coroa tentou criar alguns estancos da côrte, monopoli­zando certos produtos (como o sal) básicos de consumo.

A burocracia Colonial em Mato Grosso, sobretudo nas décadas de 1.720 e 1.730 era apenas representada pelos comerciantes que na realidade estavam mais preocupados em aproveitar o momento em expandir os caminhos de comércio nesta região, e se possível dominar os já existentes, se numa região fronteiriça (18) fazendo comércio e muitas ligações com o Peru e a Bolívia, em antigos caminhos Pré-Colombianos, agora já totalmente dominados pelos novos invasores. Com esta preocupação de domínio do que estava pronto, e aproveitando os recursos natu­rais existentes, os ricos comerciantes instalaram-se em varadou­ros, (19) pontos intermediários estratégicos no percurso de uma rota.

As atividades destes pontos, girava em torno do abastecimento de viajantes, da segurança, desta estrada, segurança esta que foi conseguida graças ao escurraçamento dos indígenas que viviam nos arredores. O aprisionamento de índios, foi um dos fatores que mais contribuiu para a fixação do novo sistema econômico, pois desbaratou toda economia, e utilizou os vencidos, como escravos, expropriando a mão-de-obra, obrigando a trabalhar para o novo meio de produção importado da Europa, produzindo por exemplo cana-de-açúcar (20) ( para o comércio local ) pinga e, natural­mente, rapadura, (21) além de víveres para abastecer a cidade (22).

O ABASTECIMENTO URBANO

A fazenda Buriti-Monjolinho, é responsável inicialmente pelo abastecimento urbano, (23) e, mais tarde ampliou suas atividades apoiando a conquista da estrada para Goiás, (24) que passava obrigatoriamen­te pela Chapada, e os comerciantes passavam pelo Coxipó D’Ouro no caminho para Cuiabá, ou pelo Portão do Inferno, passando pelo Buriti, um fértil vale com abundância de água o ano todo e um clima excepcional e de grande salubridade - coisa rara na regiões de grandes rios, principalmente após as doenças que o branco trouxe. As condições metereológicas de Chapada e a conformidade geográfica contribuíram muito para a ocupação do solo nesta beira da serra, responsável pelas cachoeiras mais altas da margem esquerda do rio Cuiabá.

A EXPANSÃO DO MERCANTILISMO LOCAL

Após a ligação de terra para Goiás ser utilizada para a circulação comercial do novo sistema econômico, até a região central do Brasil, expandindo-se até a Bahia, (25) Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro, muita quantidade de gado vacum foi trazido, (26) por aqueles que foram tomar caminho para Goiás. Foi uma alternativa importantíssima para a comunicação em Mato-Grosso, pois os caminhos pelo sul, hidrovias fluviais, estavam infestadas de revoltados índios, com a sangüinária ocupação dos brancos, e da implacável colonização ocidental. Será também caminho migratório que (27) se tornará trafegáveis graças ao sistema de caça, exter­mínio e captura dos Boróros e Caiapós (28) que se achavam confe­derados.(29)

As condições de expansão deste “Grupo Hegemônico, de comerciantes detentores da burocracia portuguesa, eram exepcionais em Mato Gros­so, rapidamente dominaram os pontos de ligações comerciais (31) sejam ao norte com o Rio Madeira - Guaporé, ao sul e ao oeste com Chiquitos e ao leste com Goiás”.

A REPRESSÃO PORTUGUESA

Medidas repressivas, (32) serão tomadas por Portugal, para por fim as estas atividades do “Grupo Hegemônico”, desde a expulsão de al­guns envolvidos, para outras regiões, até a criação de capitania de Mato Grosso,e a (33) denominação de Dom Rolim de Moura, para habitar uma nova capital em Villa Bela da Santíssima Trindade (Mato Grosso).

Neste ponto, inicia-se um novo período da ocupação, do solo da Chapada dos Guimarães, com a chegada dos Jesuítas e a escolha da “Aldeia Velha” para um dos únicos trabalhos Jesuítas, em Mato Grosso.

                                                     

A CRIAÇÃO DA CAPITANIA DE MATO-GROSSO

Os momentos que antecederam a chegada de D.Rolim de Moura, foram tensos para todo o grupo de comerciantes locais, pois Portugal já estava farto de diretrizes econômicas,traçadas pela burocracia portuguesa, perso­nificada nos comerciantes, que aproveitando a autoridade delegada pela cortes, construíram um império econômico,com características próprias e adaptadas a realidade local. Mas apesar disso, muitos foram punidos com transferências e multas, mas não perderam de todo o prestígio (34).

Uma das primeiras atitudes, tomadas pelo Dom Rolim de Moura e sua comitiva, foi com relação ao indiscriminado uso da mão de obra indígena cativa, (35) tornando-a ilegal e interessado na construção da aldeia, para a redução e catequese dos índios, que estavam em poder dos fazendeiros. Portugal (36) alegava motivos humanitários,para promover a libertação dos cativos, pois seriam reduzidos sob os olhos dos jesuítas, experientes seculares na catequese e civilização do índio, integrando-o no sistema econômico vigente, e afastando o perigo da mão de obra indígena escrava,concorrer mais ainda,com o tráfego de negro, controlado exclusivamente pela Corte Portuguesa, e agora incrementando a rota Grão-Pará ao Guaporé na cidade de Mato Grosso.

 

A CRIAÇÃO DE UMA MISSÃO JESUÍTA NA CHAPADA

Na casa de Dom Rolim de Moura, Governador e Capitão Geral desta Capitania, em Cuiabá, foram convocados padres, Ouvidores, grandes comerciantes e demais detentores da Burocracia Colonial em Cuia­bá, o anfitrião defendeu o ponto de vista da Coroa,que os comer­ciantes apresentavam os índios em quantidade,para vendê-los ou troca-los como escravos e os maltratavam muito. A Coroa está dis­posta a fundar uma aldeia administrada pelos padres da Companhia de Jesus, para refúgio, amparo e doutrina dos índios.

Para a fundação da aldeia Dom Rolim defendeu a ocupação “do sítio da Chapada, por ser sadio, com boas águas, bons matos para os doen­tes, nem perto nem longe de Cuiabá. Este documento é (37) muito rico, pois nos revela uma série de informações a respeito da Cha­pada, e das intenções da burocracia e da Coroa Portuguesa”.

A discussão girava em torno do lugar mais saudável, a necessária distância prudente de Cuiabá, mas sem muitos dias de caminhada. Deveria ser em local estratégico para não haver invasões de índios ainda não catequizados. Durante a reunião da junta para estipular o local da referida aldeia, o padre Estevam de Castro fez viagem a dita paragem e defendeu sete pontos que foram refutados pelo Doutor José Martins Machado:

ESTEVAM DE CASTRO

DR. JOSÉ MARTINS MACHADO

1* ponto: A excelente salubridade da região da

Chapada.

Informações de no fim de agosto ter

havido enfermidades perigo­sas.

2* ponto: Abundância de muitos matos frutíferos.

Os campos de Coxipó-Acú são mais

frutíferos que os da dita Chapada.

3* ponto: Existência de muitos ribeirões não

navegáveis.                

Os índios não poderiam brincar e exercitar

seus hábitos de navegar em extensos rios.

4* ponto: Encontra-se abundancia de peixe em

ribeirões pouco distantes e em qualquer época

do ano.

Os aborígines podem cultivar não precisando

de peixes para a subsistência.

5* ponto: É uma região com caça e pesca

abundante, com todo o tempo.

Acredita ter informação contrária a

respeito disso.

6* ponto: Distante légua e meia existem bons

pastos.

Segundo o morador Martinho de Oliveira,

ele foi obrigado a descer a serra, por

não haverem bons pastos na Chapada.

7* ponto: Possui o terreno melhor para hortaliças.                        

Acha que o terreno é infrutífero, Seria

a Chapada, se não houvesse o Ribeirão

das Flexas.

    

.

Segundo Antônio Aranha, haviam razões para a construção da aldeia no Ribeirão das Flexas que não é muito distante da vila e não facilita a fuga dos índios. Já o Padre Agostinho Lourenço considerava-a acessível á invasão dos Paiagoás e distante de difícil acesso á capital, e principalmente da proteção da coroa no caso de rebeliões.

No final da reunião o sítio da Chapada foi escolhido, pois considerado o sítio mais salubre, com ótimas águas desinfestadas de pestes e outras doenças, além de mais cômodo para os índios.

Na aldeia foram aprisionadas grandes quantidades de índios vindos de diversas regiões, inclusive da distante província de Chiquitos. (38).

A PRODUÇÃO INTERNA

Paralelamente ao trabalho de colonização da Companhia de Jesus, que visava a utilização da mão de obra dos índios reduzidos para produzir para a missão, estavam instalando em Chapada, diversos agricultores. Foram doados (39) para diversos proprietários em Chapada dos Guimarães, no período de l726 até l786 sesmarias sendo que quatorze no arredores da Chapada, só entre l.784 e l.785, todos para instalação de lavouras e criações de gado, e embora houvesse uma proibição de exploração e do cultivo da cana de açú­car manteve-se no Mato Grosso. No entanto, em todo período colo­nial, não chegou a ser produto de exportação, situação se tornou difícil, quadro a exploração em S.Paulo assumiu caráter exporta­dor. Assim a Capitania não tinha como exportar para outras regiões da colônia, ou seja ao nordeste e o centro-sul. Sem o mercado consumidor para seus produtos, e sofrendo controle do governo português, que procura conter a expansão desta atividade, a ex­ploração do açúcar em Mato Grosso assumiu características pró­prias. Restringiu-se ao atendimento do consumo regional, não só o açúcar, mas também todos seus produtos, principalmente a aguar­dente.(40).

No momento em que a produção de ouro de Diamantino e , sustentam o eixo, o açúcar dos arredores de Cuiabá, principalmente da Chapada dos Guimarães, e o gado de Poconé, complementam o quadro econômico. Alem do fluxo interno que dirigia para Villa Bela, intenso comer­cio era estabelecido com o centro-sul e litoral do nordeste atra­vés do caminho para Goiás.

 

AS CRISES DE ABASTECIMENTO

A região matogrossense enfrentou sérios problemas de abastecimento, existindo períodos de grande carências ou fome. Nessas ocasiões eram, os escravos entre os quais mais padeciam, sendo atingidos pela carestia de gêneros de primeira necessidade. Além disso, os trabalhos eram desenvolvidos em situações precários de higiene e conforto. A proliferaçGo de febres e sezões nas áreas de mineração eram cons­tantes, principalmente no Vale do Guaporé.(42)

O GADO

Situação análoga de dificuldades de expansão sofreu a criação de gado em Mato-Grosso, sua exploração se deu contra as autoridades coloniais, também não era interessante que ocorresse em Mato-Grosso. Da mesma forma que a cana de açúcar, este tipo de atividade ofereciam o perigo de absorver a mão de obra e recursos que deveriam estar alocados nas minera­ções. Além do mais, colocaria em risco o comércio das minas em outras regiões,que garantiria a drenagem do ouro obtido. Gado bovino e muar eram introduzidos na capitania por comerciantes paulistas, que obtinham seu produto do sul.

A região contava com a importação do gado do Vale de São Francisco, trazido, como o do sul, pelo caminho terrestre de Goiás, cujo entroncamento ficava em Meia Ponte (Pirinópolis) na Capitania de Goiás.(43)

“Como devidamente salientado, os grandes latifundiários matogrossense não compunham de atividades monoculturais, conjugavam muitas vezes, o cultivo do açúcar, como a criação de gado e da agricultura de subsistên­cia. Além disso, seus proprietários exerciam funções de comercian­tes e ocupantes de cargos públicos e militares.(44)

A ALDEIA E A CRISE

A Missão de Santana, foi um pólo de atração para a região de Chapada, pois lá foram instalados diversos produtores de produtos de subsistência local e da cidade de Cuiabá. (45)

A Aldeia foi instalada num local denominado de Aldeia Velha, distante da atual sede cerca de meia légua.(46).

Ali o padre Castro construiu uma capela coberta de palha, bem simples com um altar forrado de papéis pintados, onde colocaram imagens santuárias, (47) mas, em 1.759 a côrte expulsou o Jesuíta para o Grão Pará, e as aldeias missionárias passaram a ter prerrogativas de matriz.(48)

Dez anos depois, a Aldeia Velha entra em uma profunda crise, como nos relata o funcionário da coroa, responsável pela edição de bandos e do recolhimento dos impostos: Em 23 de setembro de l.769, mora­vam 265 índios e estava desmantelada. Mandou prender setenta de­sertores,que iam “de um para outro moradores. É fisicamente boa, mas desvantajosa com caminhos difíceis, a dez léguas da vila, e não há fáceis vias de escoamento. Vivem todos os moradores de indigência, e até pensou-se em trazer teares de algodão com fácil manufatura, com transporte e permanente consumo nas vizinhanças.” (49)

A decadência continua se manifestando na região, mesmo considerando os grandes investimentos da Coroa, para a criação da dita Aldeia.

Devido a precária situação da aldeia, o cobrador de impostos, Luiz Pinto de Souza, resolveu não arrancar os índios de suas casinhas, roças e teares, não cobrar impostos, e limitou-se a capturar fugitivos e distribuir “bandos” para que os fazendeiros proprietários de índios dessem o nome à Secretária do Governo.(50)

O ÍNDIO NA CONSTRUÇÃO DA NOVA MATRIZ

 

Em 1778 , o Dr.José Carlos Pereira em uma diligência à Chapada achou a capela uma “palhoça ,na verdade indecentíssima” em que se celebravam os ofícios divinos e que servia de Matriz. E com fervoroso desejo de construir uma grande igreja,assim que retornou para Cuiabá, começou a angariar meios para construir a  igreja,embora não houvesse no local artífices de ofício e nem mesmo  aprendizes,que soubessem trabalhar nela.Foi utilizada a mão de obra indígena, para socar as paredes,que nesta região é de terra pilada.Não havia na dita paragem mantimentos que suprissem os trabalhadores,pois não  se tinham feito roça alguma no ano passado (51).

Em 1779 foi feito um levantamento a respeito da existência  de madeira suficiente nos matos próximos,contratou-se os artífices e aprendizes necessários para a construção de uma igreja coberta de telhas rebocada e caiada com capela mor e sacristia,com casa dos párocos,pegado a mesma igreja (52).

Em 31 de julho de 1779, o vigário da vara,José Corrêa Leitão inaugurou com uma missa na igreja , foi transladado sob festas,as imagens de Santa Ana,Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier da antiga capela da Aldeia Velha para a nova igreja meia légua mais para o sudeste da original (53).

Esta nova igreja foi construída numa época de euforia conquistadora na região, com grande expansão de fazendas produtoras em volta da vila. A população indígena oriunda da missão se encontrava civilizada e fazendo parte do novo modo de produção; muros de pedra canga foram construídos  cercando as propriedades em torno da vila,pois freqüentemente foram as incur­sões dos Bororos e Caiapós que confederados impunham uma resis­tência local,a invasão de suas antigas terras e a manipulação de seus povos pelo elemento invasor (54).

A ESTRUTURA DE DOMINAÇÃO

 

A força do aparelho burocrático português aliado com ávidos comerciantes paulistas, montaram uma estrutura de dominação tal que mantinha uma estrutura social fixa com os abastados, fazendeiros, padres, militares de alta patente,ouvidores, juízes, poderosos comerciantes de um lado e os negros, índios cativos, mineradores, peões braçais, todos sendo expropriados de sua força de trabalho pela opressão do mais fortemente armado grupo econômico, que queria dominar todos os possíveis canais de obtenção de lucro compensatório para toda esta empreitada, incutir a força um novo sistema de circulação, colocando assim cada habitante para trabalhar em prol de um novo sistema econômico alienígena, destruindo toda cultura local e desmoralizando os sentimentos mais profundos da cultura sul-americana nativa. Foi incutida uma nova língua, um novo Deus, novas maneiras de trabalhar com ferramentas diferentes e não permitiam festas locais, tradicionais e típicas dos índios, bem como histórias contadas de pai para filhos, pássaros que possuíam histórias características, além de uma bagagem muito grande de como utilizar os recursos naturais locais, vivendo uma perfeita harmonia ecológica.

O expansionismo capitalista promoveu uma total ocupação econômica de uma vasta área do planeta e conseqüentemente arrasou culturas nativas existentes ao impor um novo modo de produção mais adequa­do ao momento circulacionista ocidental.

Apenas não conseguiram impedir a miscigenação, grande era a quantidade de casamentos inter-raciais na Igreja Católica. O que dava valor a um homem, independente da cor, era a quantidade de posses ou cargo político que exercia.Embora houvesse uma classe composta de capatazes e feitores, funcionário público médio, era apenas uma minoria nas cidades ou engenhos que sempre era sub-julgada a um chefe. Ou se era rico ou pobre. Havia também os produtores de pequenas propriedades que abasteciam os centros populacionais, dominando uma faixa média neste sistema econômico. O pequeno produtor muitas vezes, baseado apenas na sua família para a manutenção da produção.

A FIXAÇÃO DEFINITIVA

A população da Chapada cresceu muito os últimos trinta anos do século XVIII,pois se tem notícias de que em 1769, haviam apenas 465 moradores aldeados no Lugar de Guimarães (54) que se acha desmantelado. Após esta data muito se construiu na dita para­gem, instalaram-se muitos moradores, sobretudo após a construção da Igreja Matriz, tanto que no ano de 1822, no dia 4 de julho, Chapada encontrava-se com 3.818 almas (55), uma população razoável para uma cidade nesta localização e naquele ano.

Devido a intensa miscigenação chapadense herdou o “procedimento do falar bandeirante, por sua vez provindo do português. Foi adquirindo aspectos morfológicos e fonéticos novos através do elemento indígena e negro formando uma  sociedade típica e homogênea (56).

CONCLUSÃO

A região que hoje é denominada Chapada dos Guimarães possuiu intensa movimentação, desde os tempos mais remotos quando a região era dominada apenas pelos Sul-americanos nativos, que nos deixaram muitas inscrições e desenhos rupestres em diferentes pontos da Chapada. Posteriormente equipes de reconhecimento espanholas mapearam a região, estabele­cendo inclusive algumas estradas e caminhos que (57) seriam rea­bertos pelos colonizadores portugueses oitenta anos depois. Após  a chegada dos bandeirantes paulistas, Chapada conheceu um novo dominador de suas terras, que atraídos pelo ameno clima e a ferti­lidade de seus úmidos vales aliados com salubridade da região, instalaram-se produzindo alimentos para a região minerado­ra que dominava a região de Cuiabá até Diamantino expandindo este comércio até as colônias espanholas. O primeiro momento 1719 a 1751 comerciantes detentores da burocracia em Mato Grosso, domina­ram todos os canais de circulação e pontos estratégicos.                                                           

No segundo período analisado (1751 ao final do século XVIII), já vemos uma corte preocupada num primeiro instante com a concorrência da mão de obra indígena com a negra, criando inclusive uma redução em Chapada para aprisionar índios e anteriormente à política pombalina. A corte estimula a fixação do produtor à terra doando inclusive sesmarias e incenti­vando a construção de uma Igreja Matriz ,enquanto o que era pro­duzido na Chapada era revertido para o mercado urbano de Cuiabá.                                                                                 

Este trabalho apenas procura caracterizar a ocupação do solo de Chapada um dado período colonial português, mas não ignora a possibilidade da passagem de povos pré-colombianos. Tal hipótese só deverá ser confirmada após rigorosos estudos arqueológicos, uma vez que a historiografia ofi­cial portuguesa procurava omitir a máximo de informações sobre a cultura existente aqui e que foi destruída pelo avanço do circu­lacionismo europeu.

Cabe ao historiador desvendar a realidade que se passou nos campos de Mato Grosso.

 

ANEXO I

Citações da Revista do Instituto Geográfico Brasileiro -Volume 205 de 1949 -“Apontamentos Cronológicos da Província de Mato Grosso”.-“Barão de Melgaço”-.

Ano de 1740

“Pelos índios Bororos do rio acima tiveram em Cuiabá notícias de que nas cabeceiras do rio Cuiabá achavam-se alguns padres castelhanos, os quais se ocupavam em aldear o gentío, tendo  em começo feitorias.Convocou, o ouvidor uma junta de todo o povo e ficou assentado que os mesmos Bororos deveriam voltar e destruir tais feitorias, arrazando-as e assim foi executado.” Página 229.

Ano de 1755

“Criou-se em Cuiabá seis Companhias de Ordenanças: duas na Vila de um Distrito de Cáceres,uma na Chapada e no Coxipó,uma no rio Cuiabá acima e abaixo.” Página 247

Ano de 1771

“Em maio os Bororos deram na Chapada em distância de meio quarto de légua da Aldeia de Santana e mataram 23 dos índios seus habitantes.Passado um dia deram num lugar chamado Quilombo onde mataram cinco escravos.” Página 269

Ano de 1773

“Em outubro o gentio matou 13 pessoas no lugar da Chapada dos Guimarães que se  achavam faiscando nas margens do Aricá e mais três no Ribeirão do Bandeira, três léguas distantes da Vila de Cuiabá.”

                            

Ano de 1775

“Pelo porto de Jaurú entraram por diversas vezes alguns índios fugidos de Chiquitos e trazendo algum gado. Foram mandados para a Aldeia de Guimarães ou Santana, no Distrito de Cuiabá”.

Ano de 1779

“Deram-se providências para o melhoramento, ou antes restauração da Aldeia de Santana da Chapada,no distrito de Cuiabá. Edificou-se, aí uma Igreja, sob direção e esforços do Juiz de Fora, Dr.José Carlos Pereira,que com igual zelo, erigiu depois a Igreja de São Gonçalo no Porto de Cuiabá.”

Ano de 1791

Santana dos GuimarGes possuía 122 “famílias ou fogos” e a população total de 736 habitantes. NOTA: Existe gráfico mais com­pleto.

Ano de 1798

“No mesmo mês de março, gentio que supôs Caiapó, acometeu o sítio do Jatobá (distrito de Santana ou Guimarães) onde matou uma escrava e dois filhos dela. Poucos dias depois deu no sítio do Quilombo, perto da dita freguesia e matou sete escravos”.

Ano de 1818

“Por portaria de três de julho declarou o General que tendo extinguido a antiga Missão de Santana da Chapada, no lugar  Guimarães e ninguém se consentia roçar e fazer plantações, nas matas da mesma, senão aos que nela fossem estabelecer domicílio construindo casa de telha.”

ANEXO II

 

Relação de alguns dados sobre casamentos realizados na Chapada nos anos de 1798 até 1801.(Livro de Registros da Igreja da Chapada -n.01 -1798 a 1878.

PADRE JOÃO NEPOMUCENO DOS BURGOS

“Aos doze de Agosto de 1798, o Engenho do Sargento Mor Antonio da Silva...com provisão do reverendo vigário em minha presença, e as testemunhas, o mesmo Sargento Mor, e o Pé. João Nepo­muceno de Burgo,pelas dez horas da manhã, Antonio Martins da Cruz; filho natural de Valentim Martins da Cruz e Vitória Soares de Carvalho; casa Damiana da Silva Albuquerque, natural do Sargento Mor, Antonio da Silva Albuquerque e Thereza M.Frias de Jesus, rece­beram

as bênçãos da forma Romana...Assina o Vigário Antonio Tavares Correa da Silva na Igreja Matriz de Santana -04/02/1799.

Igreja de Santana às nove horas dia...”Em minha presença e das testemunhas, Capitão Mor José Domingos dos Anjos e Lourenço Fer­reira.

Félix escravo de A...dos Santos Ferreira,com Maria Pereira “crioula”.Receberam as bênção em 09 de Agosto de 1798 na Igreja Matriz de Santana.

Francisco Xavier Duarte, casou Manoel Barbosa “assentado nesta freguesia”, filho natural de “Manoel Barbosa e Angela...casou com “Maria da Silva” filha natural de Manoel Silva e Maria Lopes.

O vigário Antonio Tavares Correa assinou.

 

16 de Novembro de 1798 -Na Igreja Matriz de Santana, Salvador de Lima casou com Maria Francisca.(Documento quase ilegível pela água).

04 de Fevereiro de 1799 na Igreja da Matriz.

Casam João Batista,viúvo,com Ana Maria dos Chagas...

 

08 de Março de 1801.Certidão de Casamento em Cuiabá na Igreja da Matriz.

ds nove horas casam Ignácio dos Santos com Catharina e José Fernando de Lara com Paula Rodrigues.

20 de Abril de 1799 na Igreja da Chapada.Toledo Pisa com Thereza Soares da Silva.

19 de Julho de 1799.No sítio de Francisco de Souza Alurino às dez horas, Peso de Oliveira Leitão natural de São João Del Rei com Maria Dias, natural da Santa Freguesia, filha legítima de Miguel Belar e Antônia Del Aivicina.

ANEXO III

 

/Mapa da/ “ Carta Limítrofe do País de Mato Grosso e Cuiabá, desde a foz do rio Mamoré até o Lago Xarayes e seus adjacentes. Levantado pelos officiaes da demarcação dos reais domínios da Fidelíssima desde o ano de 1782 até o de 1790. Correda com as obserçoens astronômicas em todos os lugares notáveis.”

(Fotos parciais do Mapa)

 

/idem/ Detalhe da estrada velha para Goyás.Copiado Jean Perrié.

 

Mapa n. 02

“Os principais caminhos de ligação entre a região Centro-Americana e suas alternativas.Notar o caminho velho para Goiás com o seguinte dizer: “Camiño de

terra mui trabajoso.”

Mapa n. 03 /Carta de la Terre Ferme de Perou de Bresil /

Amerique de Sud (Brésil) - 1703

Foto de uma foto do Museu de Paris.

 

 

/Mapa Brésil - Terre de Sainte Croix/

Detalhe do caminho traçado ligando a regiGo central da América do Sul com o litoral norte e sudeste do Brasil.

 

Mapa n.04

“Le Perou.Mapa feito por Sanson d’ Abbeville,geógrafo do Rei -OBSERVAR OS CAMINHOS.”  A Paris - 1656

Cópia de Jean Perrié em 1978.

/Detalhe dos caminhos/

 

ANEXO IV

                                  

____Carta de data de Terras de Sesmaria____

 

  1. 113

Rodrigo Cézar de Meneses, do Conselho de Sua majestade  que Deus o guarde,Governador e CapitGo Geral da Capitania de São Paulo e das minas de Parapanema e de Cuyabá e etc.

Faço saber aos que esta minha carta de data  de terra de Sesmaria ...que tendo respeito ao que por sua petição me enviou a dizer o Tenente Coronel Antonio de Almeida Lara, morador nesta cidade e nela cidadGo e hora instante nas minas  de Cuyabá para onde fora .Há seis anos que elle suplicante se achava  sitiado e afazendado na Chapada, distante das  minas e lavras dous dias de jornadas  em um capão de mato esse o qual fundava fazendas de roças, canaviais e criações  e se achava com mais de trinta escravos com os quais  beneficiava a dita fazenda que lhe tinha custado cabedal naquele sertão a fabricá-la o que tudo era innutilidade da mesma mina pelas estas socorrendo com mantimentos porque achava sem títulos para coservação da dita fazenda e poder arregimentar-lhe se necessário uma légua de terra em quadra concedendo-se-lhe esta por carta de sesmaria  em razão do que me ... lhe ficasse mercê consedesse em nome  de Sua Majestade que Deus o guarde, por carta de data de terra de sesmaria, numa légua de terra em quadra na dita Chapada  compreendemos

o dito capão de mato em estava a fazenda com a dita légua de terra do olho d’ água  -que ficava para o poente onde  elle suplicante tenha assentado seu engenho  consendo o comprimento de légua para o nascente até o taquaral com outra  légua em quadra e attendendo às razões que allegam e ao que respondeu o provedor da fazenda Real a quem sem ... a serem utilidade della cultivarem-se as terras nesta Capitania pelo acréscimo dos dízimos reais. Hei por bem de concede por nossa Sua Majestade que Deus o guarde por carta de data de terra de sesmaria do dito Ten.Coronel Antonio de Almeida Lara na Chapada  distante dous dias de jornada das minas de Cuyabá uma légua de terras em quadra com marcos de confrontações que o suplicante declara, para que se haja ,logre e possua como coisa própria tanto elle com a todos seus herdeiros ascendentes e descendentes sem pensão num tributo algum mais do que díziamos a Deus nosso Senhor dos fructos que nela tiver a qual concessGo lhe faço não prejudicando a terceiros etc. Dada na cidade de São Paulo aos vinte e cinco de Junho de 1726.

*Extraída da Documentação da Fazenda Buriti registrado no livro da “Repartição de obras Públicas,Terras,Minas e Colonização” fei­to em Cuiabá em 20/04/1893 na página 197.

____FONTES DAS CITAÇÕES___

 

 

1.BALDUS, Herbert. “As pinturas rupestres de Sant’ana da Chapada”(MT).Separata

da Revista do Arquivo,1937,14 p.il.

2.RELATOS ORAIS DE:

LIMA, José Guilherme Aires

GONÇALVES, Juarez de Souza

3.ANEXO III (Mapas cedidos por José Guilherme Aires Lima,copiados por JEAN PERRIÉ)Fotografia dos originais.

4.CARTA DE DOAÇÃO DE SESMARIA,datada em 1726 em S.P. - “Livro da Repartição de Obras Públicas,Terras, Minas e Colonização.”Pág. 197 de 20/04/1893 -INTERMAT-Cuiabá -MT.

5.SÁ, José Barbosa de .”Relações  das Povoações de Cuiabá e Mato Grosso,desde seus princípios até os presentes tempos “UFMT/SEC/CUIABÁ           -1974-Pág.33

6.ROSA,Carlos.”O Comércio da Conquista” -Revista UFMT/CUIABÁ -1982.

7.SÁ, José Barbosa,idem-pág. 30

8.SÁ, José Barbosa,idem-pág.21

9.LENHARO,Alcir. “Crise e Mudança na Frente Oeste de Colonização-FUFMT-1981 pág 17.

10.Idem-pág 40.

11.Idem pág 21

12.SÁ, José Barbosa de.Idem- pág 36.

13.LENHARO,Alcir.Idem-25.

14.Idem -pág 48

15.Rosa, Carlos-Idem.

16.LENHARO, Alcir.Idem-pag 7

17.ROSA, Carlos. Idem.

18.Idem.Pag 6.

19.Idem.Pag 4.

LENHARO, Alcir. Idem.-Pag 74.

20.SÁ, José Barbosa de Idem Pag 25.

21.Idem.Pag37.

22.LENHARO, Alcir, Idem Pag 25.

23.Idem.Pag 62.

24.Mapas de Jean Pirié (Anexolll)

25.LENHARO,Alcir. Idem Pag.48.

26.SÁ, Jose Barbosa de Idem Pag.36.

LENHARO Alcir, Pag 36-37.

27.SÁ, José Barbosa de. Idem Pag 37

LENHARO, Alcir. Idem Pag 20.

28.Idem Pag.21

29.Revista do Arquivo Público do Mato-Grosso, Carta do Ouvidor da Comarca de -

Cuiabá - João Gonçalves Pereira, de 1 de setembro de 1737, na caixa 1683 a

1755, pagina45 - Março e Agôsto de 1982.

30.ROSA, Carlos. Idem, Pág. 5

31.Idem Pag 6.

32.Idem Pag 6.

33.Idem Pag 7.

34.ROSA, Carlos Idem Pag 6

35.Revista do Arquivo Público de Mato-Grosso, Correspondência de Luiz Pinto de-

Souza Coutinho e Fracisco Xavier de Mendoça Furtado. Registrada no Livro -

Registro da Secretaria do Governo - 1769-1772. Folhas 71v-72v. de....... -

23/09/1769 - RAPMT - N* 02 Pag 5

36.RAPMT. Volume 02 Pag 65. Livro de Registros de Termos da Junta, 1751-1827-

Folhas 6v-l4v de 9/04/1751.

37.Idem. Pag 65,66,67.

38.RAPMT. Fragmento-Avulsos Cx. 1766-l768 - n* 2 - Pag.74

39.Pesquisa junto aos Arquivos do INTERMAT de Cuiabá. Livro de Cartas de Doa-

ç·es de Sesmarias - n* 01.

40.VOLPATO, Luiza Rios Ricci. “ A Formação do Anti-Mural da Colônia “ - Dis -

sertação de MESTRADO FFC HLUSP. Mimeografada FUFMT - l982 - Pag 4.

41.LENHARO, Alcir Idem Pag. 66,68,74

42.VOLPATO, Luiza Rios Ricci. Idem Pag.2.

43.Idem Pag 5.

44.Idem Pag 10.

45.Pesquisa no INTERMAT/Cuiabá.    

46.MOURA, Carlos. “A Igreja de Santana” Edição FUFMT. Cuiabá - Pag 10.

47.Idem Pag.10

48.Idem Pag 10

49.RAPMT Idem ao 35

50.Idem.

51.MOURA,  Carlos. Idem Pag.10

52.Idem Pag. 11

53.Idem Pag. ll

54.RAPMT. Idem Pag. 75

55.MOURA, Carlos. Idem Pag 14

56.HAUG,Marta Joanna. “O Folclore em Chapada dos Guimarães (MT) Secretaria -

de Estado da Cultura de SGo Paulo - 1982 - Pag 17.

57.ANEXO lll (Vários Mapas).

 

BIBLIOGRAFIA DE APOIO

 

 

HAUG, Martha Johanna. “Folclore em Chapada dos Guimarães-MT”. São Paulo, Se-

cretaria de Estado da Cultura, 1982.

FLORENCE, Hércules s. “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 á 1829”  -

São Paulo. Editora Cultrix/Editora da Universidade de São Paulo.

FURTADO, Celso.”Formação Econômica do Brasil. “São Paulo.1969.

MOURA, Carlos Francisco. “As Artes Plásticas em Mato Grosso nos Séculos XVII e XIX.”Mato Grosso,1976.

NEVES, João Elóy de Souza.”Chapada dos Guimarães,da Descoberta aos Dias Atuais” Cuiabá, Gráfica da FUFMT-1980.

ODÁLIA, Nilo e FLORESTAN, Fernandes.”Varnhagem”,São Paulo,Editôra Ática, 1979.

PÖVOAS, Lenine C.”História da Cultura Matogrossense” Editôra Resenha Tributária.Cuiabá,1892.

PRADO JR .Caio.”História Econômica do Brasil”.Editôra Brasiliense,São Paulo,1970.

SODRÉ, Nelson Werneck. “Formação Histórica do Brasil”. São Paulo,Brasiliense, 1970.

MENDONÇA, Rubens de.”História de Mato Grosso” Cuiabá, 1970.

SOUSA, Maria Cecília Guerreiro de.Inventário de Documentos Históricos Sobre o Centro Oeste” FUFMT, Cuiabá,4 volumes.

 

REVISTAS

 

Revista do Arquivo Público de Mato Grosso,volume 01-março e agos­to de 1982

Revista do Arquivo Público de Mato Grosso,volume 02-setembro/82 a fevereiro/83.

Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro-RJ, Departamento de Imprensa Nacional,volume 205-outubro/dezembro.

AVULSOS

CORTE REAL,João Afonso.  “Anais de Vila Bela da Santíssima Trindade, desde o Descobrimento do Sertão de Mato Grosso em 1734”. Lisboa-Portugal.

ANTONIL, André JoGo.Cultura e Opulência do Brasil” Companhia Edi­tôra Nacional-São Paulo.

 

FONTES PRIMÁRIAS(MANUSCRITAS)

Livro de Registros da Repartição de Obras Públicas,Terras, Minas e Colonização. Arquivo do INTERMAT-Cuiabá.

Livro de Registros de Cartas de Sesmarias,livro 01-INTERMAT-Cuiabá.

Livro de Registros de Batizados,Casamentos e óbitos da Igreja de Nossa Senhora de Santana do Sacramento.Livro 1-Chapada dos Guimarães-M

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