"A Ocupação Humana da Caverna "Aroe Jari

"A Ocupação Humana da Caverna "Aroe Jari"

Jorge Belfort Mattos Jr.

 

A presente pesquisa é, baseada em depoimentos de pessoas que visitaram a caverna em determinadas épocas, muitas são contados pôr terceiros, o de mais concreto são os trabalhos científicos elaborados pela ocasião do Projeto de Reordenamento de Chapada dos Guimarães produzido pela FEMA-Fundação Estadual do Meio Ambiente.

É sabido pêlos diversos sinais deixados que o homem pré histórico já andou pela região da caverna deixando sinais em locais abrigados e não suscetíveis a erosão intensa. Os índios Bororos que habitavam a Chapada, e até‚ os Caiapós mais recentemente podem tê-la utilizado como pernoite numa época de caça ou na busca de ervas medicinais, e existe uma citação que os Tropeiros já do modo de produção colonial português, teriam pernoitado em 1870 quando estavam a caminho de Cuiabá. Pôr ocasião da Expedição Langsdorf que esteve aqui em 1827, nenhuma citação sequer foi deixada, apenas existe um relato oral contado pelo avô de Antônio Cássio Albernaz de que os "Revoltosos" nome dado ao grupo da "Coluna Prestes" teriam seqüestrado e levado a força para a caverna e teriam passado alguns dias até‚ que deram uma mula e mandaram-no embora. Riquíssimas informações foram transmitidas pelo Sr. Nhoca Pacheco que passava pôr um caminho tropeiro para ir a sua fazenda há mais de 40 anos e havia um "fogão" natural no salão do “Chuveiro” e garimpeiros que teriam morado no interior da caverna e o destruíram. Ramis Bucair tem um conhecido que comentou que Dom Aquino Corrêa teria visitado esta caverna na década de 20 de nosso século, e seu nome poderia ser Gruta de Coimbra, mas Ramis acha que essa é a de Corumbá, pois lá existe uma homônima.

Alguém já disse (não me recordo quem) que Frei Oswaldo (ex frei de Chapada) teria conhecido a Gruta nos anos 40.

Na década de 70, sabemos da visita de Ramis Bucair e de Maria Elisa Costa descrita pôr José Paulino e a visita de José Guilherme Ayres Lima e as desventuras de Jean Perié, que a chamou de "Gruta da Lagoa, tratados no trabalho de Maria Lúcia Pardi sobre os sítios arqueológicos de Chapada..

Na década de 1980 inicia-se um ínfimo movimento de turistas e pesquisadores , entre elas uma expedição do Museu Nacional do Rio de Janeiro, da qual não conseguimos ainda qualquer resposta sobre as conclusões deste trabalho.

No ano de 1984 a estrada já chegava mais próximo da vereda mas ainda não havia a erosão antes do córrego Monjolinho.

Em 1986 Juares Sousa Gonçalves e José Guilherme Ayres Lima criam o Instituto de Pesquisas Currupira Araras e enviam para o Deputado Estadual Kazuho Sano um descritivo da área propondo uma pesquisa e medidas para a preservação do patrimônio da Caverna Aroe Jari. Neste mesmo ano recebem a visita da SBE que mapeia e topografa a Caverna como é minuciosamente explicado pelo trabalho de Espeleologia do Tércio Soares Barreto.

Em 1989 a FEMA cria o "Plano de Reordenamento da Ocupação de Chapada" com fundos do PNMA- Programa Nacional do Meio Ambiente que montou uma equipe multidisciplinar que produziu trabalhos a respeito de várias áreas de Chapada, inclusive a Caverna, texto que reproduzo-o na íntegra de alguns, como o caso de arqueologia, pois acho que não dá para tratar isoladamente, mas sim como Chapada num todo, dou os créditos no início dos mesmos.

Em 1989 a Eco Turismo Cultural já levava em um fusquinha alguns visitantes e Antônio Cássio Martins em seu FIAT, iniciando assim a visitação dirigida na Caverna, e o Sr. José Paulino dos Santos também atuava como guia há muitos anos na região.

Muitos documentários foram feitos a respeito da caverna pôr diversas emissoras de TV do Brasil e de outros países, inclusive cenas e "Ana Raio e Zé Trovão" foram rodadas na Lagoa Azul.

A partir da época das chuvas de 1993 um maior fluxo indevido pela vereda, inclusive pôr motoqueiros e jipeiros que teimavam em chegar até a nascente da "Água Suja" deixando um rastro profundo que canaliza a água abrindo erosões.

Outro depoimento oral muito interessante foi dado pelo Sr. Nhoca Pacheco, 65, antigo morador da serra abaixo que utilizava uma trilha há mais de 40 anos para descer a serra, que passava pôr baixo da "Ponte de Pedra" e desde aquela época já conhecia a caverna e conta que no primeiro salão onde há uma cachoeira (Chuveiro) existia um grande "Fogão" natural com um grande buraco para pôr panelas e lenha embaixo, mas naquela época garimpeiros descobriram muito diamante nas proximidades e passaram então a residirem nas cavernas que havia na região.

A estrada que ia para o Monjolinho que passa embaixo daquela Ponte de Pedra sai na cabeceira que vai para a gruta "Gruta da cabeceira do Dois Irmãos", que era o Tijuco lá de baixo, que também tem o nome de Monjolinho. Há 50 anos quando andava caçando pela região entrávamos lá dentro com folha de buriti queimando até a lagoa. apiávamos do cavalo, passávamos pela vereda, dali para baixo era do Dr. Anildo, que era um garimpo muito bom, ali para baixo da caverna naquela várzea, da finada D. Sebastiana, que antes era de um tal de Dilson, que vendeu para D. Sebastianona. O Caminho era aquele mesmo, passava pela cabeceira que passava na Ponte de Pedra, deixava o cavalo ali e ia beiradeando a cabeceira, alguns entravam na mata. Há muitos anos o Dr. Ramis Bucair esteve em sua casa com um pessoal de São Paulo, dois médicos. Quando visitei naquela época não havia ainda nenhuma inscrição ou desenho nas paredes, só quando levei o Sr. Dermot e família já havia os desenhos. Da primeira vez que fui tinha uma fornalha do lado direito, como daquelas que se faz rapadura, perfeita, mas feita pela natureza com até suspiro para sair a fumaça e os garimpeiros quebraram, desmanchando tudo. E era perfeita até o lugar para assentar o tacho, parecia que tinha sido feita pela mão do homem. Naquela época ainda não conhecia a Lagoa Azul, e o pessoal não valorizava. Os animais da época eram o veado, o tamanduá. Antigamente não era de ninguém, era largado, do lado de lá era do finado Dr. Melo, para o lado de cá do córrego, depois de um varjão bonito, era tudo devoluto, depois que requereriam, inclusive a reserva da Cemat. O Catarino morou naquela área, mas hoje ele está próximo da Serra de São Vicente, morava antes de chegar na gruta na cabeceira do Rio Aricá, perto daquela lagoa no meio do cerrado, que vai para a fazenda de Deolízio, para cá, era do pessoal de João Moreira, para o lado de lá do Dr. Melo e do Dr. Melo para lá já era o nosso, a Serrinha, o resto era devoluto até a área da Cemat era devoluto. Na descida da Serrinha há uma nascente de águas sulfurosas, que era muito boa para o gado, pois atravessavam três córregos para beber daquela mina , e o Frei Oswaldo, receitava para as pessoas que tinham doenças de pele que se banhassem e tomassem daquela água que curava muita gente, e existem até hoje. Sr. Hélio Correia Pacheco, conhecido como NHÔCA, 65 anos, nascido em Cuiabá colaborou o Sr. Manoel Otilio com 70 e poucos anos.

Depoimento de José Paulino dos Santos, 62 o guia mais antigo de Chapada.

A primeira vez que fui a caverna foi em 1978, fomos de carro mas o carro ficou na região da Cruz de Pedra, e de lá era só seguindo a pé pôr uma picada, passamos pela ponte de pedra. Fomos com D. Maria Elisa Costa, filha do Dr. Lúcio Costa, e um velho de Chapada, o Chiquinho do Ipê, que conhecia já a caverna e chamava-se Lagoa Encantada dada pela D. Maria Elisa, e hoje já não há tanta água como havia naquela época. Para chegar na boca ia pela mesma vereda e pela mata. Quando chegamos na boca da caverna lembro-me que não estava muito devastada como está hoje, naquela subida que vai para a Lagoa Azul não estava ainda com marcas e com os buracos aparecendo as raízes, não haviam as cinzas e paus queimados que existem hoje, e não existiam desenhos na parede, era tudo “cherozinho” e tudo limpinho.

Nós entramos no salão onde há o chuveiro e de lá nós voltamos, D. Maria queria ir mas ninguém sabia a distância e o guia (Chiquinho do Ipê) disse que havia muita água, mas foi na época da seca. Vimos vários animais, os queixadas, os catetos e uma jaguatirica. Daí fomos pôr fora até a outra boca da caverna pela subida lateral e nem trilha havia, andamos até chegarmos na Lagoa Azul, que naquela época era diferente, não tinha aquela pedra que tem hoje na entrada no chão era mais espaçosa e a água era limpinha, e depois acho que deu um trovão, um estalo e caiu tudo ficando como está hoje, e o pessoal que vai sem guia acaba sujando, usando sabão e até lavam a roupa na água da Lagoa. E hoje quando chove leva a sujeira(o carvão e o lixo deixado) para dentro, sujando a água.

Eu conheço outra caverna de 150m de comprimento e a boca tem 3m de altura e vai afunilando e no fundo deve ter um meio metro, e é seca sem água dentro, fica do lado da outra, tem muito trabalho para chegar tem que subir numa pedra e caminhar mais ou menos um Km e caminhar pôr cima da lombada das pedras, e num vão de serra se joga num pé de árvore para descer dentro dela, muito bonita mas muito dispendiosa para chegar nela.

Na região tem o córrego da Caveira, do pulador, o que sai da caverna é o Córrego Cristal, e tem outro córrego que vem lá da BR que forma o Bota Fora, tem o da Caveira mais para frente, sai da caverna o Córrego dos Pacheco, que vão até‚ embaixo. Antigamente podia se rodar mais de carro na região, mas as estradas viraram um areião que não passam mais carros.

Entrevista com Ramis Bucair, 61:

Sou espeleólogo com a carteira 63 do Brasil da SBE da velha guarda do Pierre Martins, no início da SBE. Conheço Chapada há 40 anos quando a estrada Cuiabá - Chapada ainda era quase uma viagem que tinha que levar matula.

A primeira vez que fui a caverna foi em 1974 , e hoje não gostaria de vê-la pois está muito diferente do que estava, muito depredada.

Já fiz a descrição de muitas cavernas e inclusive das inscrições rupestres Pariental que existem no contraforte da serra de Chapada.

Na primeira vez que fomos à caverna utilizamos uma camioneta, deixamos o carro perto da Cruz de Pedra que é uma incógnita, pois fica plantada quase que numa planície e deverão vir ainda este ano um pessoal da Universidade de Brasília, muitos acham-na parecida com uma águia, virão para fazer uma pesquisa, pois não se sabe se ela foi trabalhada ou se foi transladada para o local.

Foi neste local que deixamos o carro e daí fomos caminhando, e três coisas chamaram a atenção da expedição; além da própria caverna, havia a Cruz de Pedra, e uma Ponte de Pedra que ligava um morro a outro, com um vão muito grande, feito pela natureza sem a obra do homem sem auxílio de ferro ou cimento, feito pela arquitetura Divina, de lá atravessamos um varjão, era tudo virgem e não haviam trilhas, andávamos através de rumos, utilizamos um guia que morava na região. Subimos uma pequena elevação, e aí penetramos no primeiro salão, onde nascia um manancial, depois não conseguimos atravessar porque não havíamos levado embarcação para cruzar o córrego que percorre quase toda a caverna. Daí então voltamos para Cuiabá, aonde conseguimos câmaras de ar de pneus, fazendo então uma embarcação improvisada e daí então conseguimos atravessa-la. Na travessia havia mais ou menos 1,80m ou 2,00m de profundidade. No centro da caverna existe uma grande ilha que justamente ao chegarmos nela furou a câmara de ar, uma pessoa voltou a camioneta estacionada na Cruz de Pedra para colar a câmara, voltamos então naquela ilha, de onde pode-se ver uma pequena claridade da saída da caverna bem ao longe. Naquela ilha vimos um animal que até hoje nenhum naturalista jamais conseguiu distinguir o que é o animal que estava entrando em processo de fossilização já calcificando a própria cauda, ele se assemelha-se assim como um cachorro, mas muito diferente, porque as patas dianteiras são menores do que as traseiras, não tocamos mas só fotografamos, quando saímos da caverna também não encontrei nenhuma inscrição da era primitiva a não ser, fora da caverna em um outro local. Naquela época não conheci a Lagoa Azul pois não tínhamos mais provisões para continuarmos as pesquisas.

Pesquisei muitos anos a Chapada, uma ocasião saindo pelo Jurumirim em Cuiabá, passando a ponte de ferro indo até as inscrições rupestres parientais que muito me impressionou, os homens primitivos davam notícias de muitos animais, tatus gigantes, águias, dinossauros, ou mamutes, estas pinturas parientais segundo pesquisas que mandei fazer são um composto de sangue, mel, claras de ovos e resina vegetal, e segundo os analizadores data de 6.000 anos antes de Cristo, existe em Coronel Ponce também uma muito bonita no morro da Rapadura, mas não era pintura e sim um sulco profundo na rocha de 2 ou 3 cm.

Aqui segue a publicação do artigo de Ramis Bucair extraído da “Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso:

A Gruta Túnel

 

"As novas pesquisa sobre estranhos monumentos em pedra e as grutas de Mato Grosso, poderão modificar várias teorias sobre as verdadeiras origens do homem brasileiro.

A Gruta Túnel de Chapada dos Guimarães (não se sabe ao certo, existe uma dúvida com referência aos limites dos dois municípios), tem quase 2 Km de extensão. Dentro da Gruta Túnel, que é atravessada pôr um rio, não há qualquer manifestação de vida vegetal. Mas podemos constatar vida animal. Conseguimos fotografar (em preto e branco e colorido), um esqueleto de um animal pré histórico, um espécime em extinção, que o homem desconhecia totalmente, pôr ser um animal que habita as profundezas das cavernas.

A abóbada da grande gruta é formidável, chegando a ser monstruosa, cabendo dentro dela um exército de homens. O seu túnel com mais de 2 KM de extensão é sustentado somente pôr um pilar. Duas grandes ilhas de pedra emergem das águas. O rio é profundo e a Água fria. Na entrada principal da Gruta Túnel há indícios de um grande cemitério, com centenas de urnas funerárias que sempre foram uma fonte de pesquisas para arqueólogos e geólogos. Daí o Espeleólogo ser o radar, o detetor, o homem que vai buscar nas profundezas das grutas escuras, os materiais necessários de apoio para elucidar as outras ciências.

A oeste desta Gruta Túnel, existe uma caverna cujas paredes encontra-se um painel encerrando centenas de figuras emaranhadas, algumas parecendo terem sido desenhadas com tinta vermelha e branca, outras, parecendo conseqüência de alterações cromáticas da própria rocha e alguns relevos que observados atentamente nada mais são que traços de uma simbologia clássica: os Arcanos emblemáticos que serviam de apoio visual às especulações metafísicas dos sábios do Oriente Médio há quatro, cinco ou sete mil anos.

O túnel tem a forma oval muito bem feita e revela a escuridão que se encontra no interior. Um túnel construído em posição oblíqua, atinge o topo da serra, enquanto um outro, ainda em posição horizontal termina numa grande porta que se encontra na mesma escarpa. São três unidades interligadas, tendo como ponto de convergência um grande salão onde se encontram blocos de pedras.

O sistema dos túneis teriam sido feitos sob um critério de proteção?

Mas nada sugere que teriam sido construído como moradia e sim com alguma significação mágica ou religiosa.

A mais ou menos 6 Km a Gruta Túnel existe outra região bastante curiosa, chamada pêlos moradores de "Cruz de Pedra". Trata-se de uma área totalmente plana onde se encontra uma incrível escultura que se assemelha a uma grande águia para uns, e uma grande cruz para outros. É um formidável bloco de pedra, com mais de 4 metros de altura pôr 2 de largura, imponente e majestosa, em plena planície como se fosse uma grande águia a dominar com seus olhos de lince esta esplanada misteriosa de Chapada dos Guimarães. Mas é provável que não passe de uma construção natural (capricho da natureza) e que, sob esse outro aspecto, signifique também algo extremamente importante.
O texto (A Gruta Túnel) foi publicado em Cuiabá, fevereiro de 1978.

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