História da Ocupação Humana de Chapada

CHAPADA DOS GUIMARÃES NO SÉC XVIII.

Jorge Belfort Mattos Jr. Historiador/Especialização/História de Mato Grosso

                          

A região que hoje é denominada Chapada dos Guimarães, possuiu intensa movimentação, desde os tempos mais remotos quando a região era dominada apenas pelos sul-americanos nativos, que nos deixaram muitas inscrições e desenhos rupestres em diferentes pontos da Chapada. Posteriormente equipes espanholas de reconhecimento mapearam a região, estabelecendo inclusive, algumas estradas e caminhos que seriam reabertos pelos colonizadores portugueses oitenta anos depois.

Após a chegada dos bandeirante paulistas, Chapada conheceu um novo dominador de suas terras que, atraído pelo ameno clima e a fertilidade de seus úmidos vales aliados a salubridade da região, se instalou, produzindo alimentos para a região mineradora que dominava a região de Cuiabá até Diamantino, expandindo este comércio até as colônias espanholas.

No primeiro momento de 1779 a 1751, os comerciantes detentores da burocracia colonial em mato Grosso dominaram todos os canais de circulação e pontos estratégicos.

Num segundo momento 1751 ao final do séc. XVIII, já vemos uma corte preocupada num primeiro instante com a concorrência da mão-de-obra indígenas com a negra, criando inclusive, uma redução em Chapada para catequizar índios, construindo a primeira igreja onde é chamada de Aldeia Velha, com telhado de palha. Em 1759, o marquês de Pombal expulsou os jesuítas vindo os padres seculares substituí-los. Embora não interessasse tanto à corte portuguesa a instalação de fazendas em áreas de garimpo, muitas sesmarias foram doadas incrementando a produção. Em 1779, o Juiz de fora José Carlos Pereira, promoveu a construção de Igreja matriz fortalecendo o núcleo produtor que revertia sua produção a Cuiabá e a zona de garimpo.

A partir da construção da Igreja Santana, a população de garimpeiros e colonos concentrou-se no entorno da Igreja. Muitas fazendas instalaram-se na região caracterizando-se como uma região importante para o abastecimento urbano de gêneros de subsistência. A instalação destas fazendas aconteceu num momento em que a corte portuguesas não estimulava essa atividade em área de mineração para poder trocar o minério pelos produtos trazidos pelas moções. Durante o período de escassez de minérios o que sustentou a região foram estas fazendas, responsáveis pela alimentação básica dos colonos.

Em Chapada instalaram-se diversas fazendas nesta época com a produção de cana-de-açúcar, mandioca, carne seca, café para pequeno consumo e frutas da época. A mão-de-obra era a escrava negra e a do assalariado em funções de comando. As fazendas coloniais de que temos notícia são:

Buriti/Monjolinho - 1720

Glória - 1763

Lagoinha - 1784

Ribeirão de Jardim - 1785

Abrilongo

Engenho

Ribeirão Costa

Jamacá

Capão do Boi

São Romão

Santa Eulália

Laranjal

Capão Seco

O meio de transporte mais comum eram os caminhos tropeiros que ligavam a Cuiabá. Existia também o " caminho de terra para Goiás" , que foi aberto em 1737, num momento em que os índios Paiaguás ocupavam o caminho via Paraguai, no qual trouxeram o primeiro gado vacum para a região. Com o desenvolvimento de Chapada na época imperial com a produção de alimentos, o comércio fronteiras no sentido oeste, obtendo em troca de gêneros alimentícios e gado, a preciosa prata espanhola, isto escondido dos olhos oficiais, pois este comércio era considerado contrabando.

Após a abolição da escravidão Chapada vai mergulhar numa profunda recessão pois a produção era essencialmente feita pela mão-de-obra negra. A população havia diminuído bastante em virtude da peste da varíola que foi trazida pelos que voltaram da guerra do Paraguai, enfraquecendo ainda mais a produção local. Os grandes proprietários descapitalizados com a abolição, estavam desanimados, mas há notícia de que os primeiros anos do séc. XX ainda existiam negros cativos trabalhando para patrões que faziam questões de ignorar a Lei Áurea. Na década de trinta e início da de quarenta, chegou à Chapada a missão de saúde Franciscana que organizou melhor a comunidade, criando um posto de saúde que mais tarde transformou-se no Hospital Santo Antônio e a Escola São José administrada pelas irmãs franciscanas. Desde 1923 existia a Escola Evangélica de Buriti, que em 1913, quando estava bastante abandonada pelos "Siqueiras", ex-proprietários, foi comprada pela missão evangélica interessada em instalar no Brasil Central uma obra para disseminar o seu pensamento religioso. Na primeira do séc. XX, a região desenvolveu-se nas áreas do garimpo; surgiu o distrito diamantífero de Água Fria que se notabilizou pela produção em seus primeiros anos e pela instalação de cabarés muito famosos na época. Mas houve um período de interrupção de alguns anos de estrada que ligava a Cuiabá, sendo feito o trajeto apenas pelos caminhos tropeiros. Após a década de sessenta, o município, que na época era o maior do mundo com suas fronteiras chegando ao Estado do Pará e dividindo-se com São Félix do Araguaia, começou a ser mais ocupado. Na década de setenta começaram a se desenvolver núcleos de colonização com Alta Floresta, Colider, Sinop, Nova Brasilândia, Paranatinga e outras.

O cultivo do arroz começou a ser mecanizado e a pecuária intensificou-se mais. Com a construção e pavimentação de estrada Cuiabá - Chapada, o turismo começou a ser mais intensificado sendo encomendado um " Plano Diretor de Turismo para Chapada dos Guimarães", que foi feito pelos competentes arquitetos Maria Elisa Costa e Lúcio Costa, que definiram um zoneamento turístico para Chapada dos Guimarães, mas do que, infelizmente, quase nada pôde ser cumprido.

É necessário a implantação de uma política ambientalista em Chapada; um primeiro passo foi feito - o Parque nacional de Chapada dos Guimarães mas ficou muito aquém das áreas que devem ser preservadas tanto por sua natureza como pela cultura, que correm riscos de total descaracterização.

Um turismo direcionado para a preservação é o grande trunfo de Mato Grosso, pois é cada vez mais rara no mundo a paisagem natural, e quando aliado à preservação histórica toma um caráter cultural de grande importância, pois o turista conhecerá um pouco da história local e a população vai valorizar cada vez mais o seu passado e ajudar a preservar um pouco mais o nosso planeta.

O tombamento do patrimônio ecocultural pela SPHAN é urgente, pois somente assim poderemos preservar um pouco da cultura mato-grossense.

CASA DE PEDRA

A casa de Pedra é uma formação muito característica, pois sempre abrigou espécimes animais e naturalmente tem muita história. Os sinais mais antigos foram descaracterizados; existem citações de escravos e visitantes que lá se abrigaram durante noites ou friagens. Para evitar sua total descaracterização são necessárias algumas normas de conduta para os eventuais freqüentadores: delimitação da área, onde os carros possam vir a ter acesso; lixeira; e proibição de riscar, sujar e depredar a área.

TAPERA DO CAPÃO SECO

A tapera pertencia a Antônio Eloy Paixão, que possuía um comércio de gêneros alimentícios produzidos na região e comerciava também alguns produtos industrializados. Seu Antônio Eloy tinha uma tropa de animais e freqüentemente descia para Cuiabá para vender a farinha de mandioca produzida em Chapada. No início da década de sessenta a terra vendida e a casa abandonada, vindo a ruir alguns anos depois; a área foi subdividida e novas construções foram erguidas distante uns mil metros a sudeste.

CAVERNA AROE-JARI

A região em torno da caverna Aroe-Jari está praticamente preservada apesar da ocupação mecanizada e extensiva e com possibilidade de uso de agrotóxicos e defensivos a cerca de oito km de caverna. Uma fazenda na baixada Cuiabana e aos demais limites ser ocupação visível do ponto mais alto da região.

ADJACÊNCIAS DO MORRO DE SÃO JERÔNIMO

Esta região de excepcional beleza cênica está relativamente preservada. Há criação extensiva de gado, vestígios de uma antiga construção, formações rochosas modeladas ao evento - " uma Pedra Chapéu de Sol ou Cogumelo de Pedra" - e as casas da fazenda.

Existe um caminho que desce a serra, o " Quebra-Gamela", devido a ser íngreme, mas muito usado no trajeto para Cuiabá e Coxipó do Ouro. Na serra abaixo um garimpo devasta uma grande porção de terra.

CACHOEIRA DO VÉU DA NOIVA

É de incrível beleza cênica, tanta que impressionou Dom Aquino Corrêa, que quando lá esteve escreveu um poema intitulado " Véu de Noiva "; originando o nome da cachoeira. Já foi alvo de muitos cinegrafistas, artistas e fotógrafos, pesquisadores e turistas, que caminham pela beira do paredão até o rio, e os mais dispostos descem até o lago que forma, onde cai a água.

O turismo desordenado causa acúmulo de lixo e até risco para as pessoas que descem a trilha, ao atirarem pedras lá de cima.

VALE DO JAMACÁ - CAPÃO DE BOI

No Jamacá existe uma ocupação intensiva chácaras de lazer e algumas fazendas nas áreas superiores. A atividade é a pecuária, além da agricultura de subsistência. A vegetação primária na cabeceira está ameaçada bem como mais abaixo, antes da confluência com o Capão de Boi, onde a capoeira já está bem reformada.

A ocupação original foi em 1892, como atesta a carta de Sesmaria; a partir desta data, o vale foi sendo subdividido, e imigrantes alemães instalaram-se na década de 1920 até que o INCRA subdividiu a área em 25 a 46 ha. Já foi subdividida em áreas de até dois ha, sendo transformada em área urbana, com aspectos de chácaras de lazer.

MATA FRIA

A Mata Fria era uma região conhecida como Portão do Céu, pois a estrada antiga passava sobre uma ponte toda protegida com muro de arrimo de canga, atualmente uma curva na estrada sem Guard-rail; já ocasionou vários acidentes graves, tornando a parte baixa do aterro da curva um cemitério de automóveis e cruzes. O aterro descaracterizou totalmente o vale, mas a vegetação já cresceu bastante, tornando uma bela região para caminhada. Existe na parte mais alta que margeia a rodovia uma erosão acentuada no antigo leito da estrada velha. Um quilômetro acima da Mata Fria, temos formações de arenito sugestivas e curiosas.

Seria interessante disciplinar o uso turístico para evitar perigo e depredação.

CAPÃO DA RUÇA

A região é marcada pela existência de uma mata seca de topo (uma das últimas da região), uma área de campo utilizada para pasto onde recentemente foram instaladas as salas de aulas e alojamentos da clínica.

Existem o sítio Alto do Céu de Fernando Almeida, de Cuiabá, que faz divisa com a base do radar e com o aviador - Pouso da Águia, para onde só há acesso de avião, instalado em um degrau da cuesta onde está o campo de pouso, o hangar, a casa e uma mata na beira do paredão, instalada na década de 70.

A "Irmã Scheila" faz divisa com as propriedades de Fernando Almeida e José Luiz, que atinge até o vale do Capão da Ruça. Lá existe uma antiga tapera onde se plantavam milho arroz e feijão e por onde freqüentemente os tropeiros passavam.

CACHOEIRA PRAINHA

É uma região onde as cachoeiras se multiplicam e temos dois acessos mais usados, uma pela própria cachoeira em plano inclinado na pedra e outro alto do morro da margem direita que segue pela mata descendo até a praia.

CACHOEIRA DAS ANDORINHAS

A ocupação do entorno da cachoeira não chega a descaracterizar a região, exceto pela enorme construção no plano á esquerda feita pelos presbiterianos; diversas trilhas entrecruzam-se. Existem acesso à cachoeira Independência, ao morro em frete (morro do "Romano") que dá acesso ao morro do Gavião.

A subida à margem direita dá acesso ao estacionamento. Seguindo o córrego há inúmeros poços, cachoeiras e lagoas excelentes para um banho. As trilhas podem ser melhoradas principalmente nas veredas, pois o uso intenso causa erosão; encontram-se muitos cacos de vidro na areia da cachoeiras, trazidos por turistas inescrupulosos, que põem em risco outros usuários. as descidas também precisam de obras de contenção, como instalação de degraus de pedra com corrimão de cordas presas em palanques enterrados nas veredas; serão necessários seixos largos, de forma que possibilitem o trânsito sem afundar o pé na areia fofa e úmida, e placas indicando as direções.

CACHOEIRA DO DEGRAU

A região é de uma natureza exuberante, com uma sucessão de lugares aprazíveis e cada curva ou desvio do rio Sete de Setembro. No entanto ,está se modificando pelo uso intensivo e desordenado, com freqüentes desmates por inexperientes campistas. A trilha já apresenta sinais de desgaste, provocando uma erosão, e muito lixo se acumula ao redor.

No passado, a região já foi alvo de garimpagem, que há muitos anos não é praticada.

CACHOEIRA INDEPENDÊNCIA

A região dessa cachoeira já foi área de garimpo, mas atualmente o Turismo domina o fluxo humano. A vegetação está bem conservada e a presença do homem é marcada pela existência de alguns seixos de concreto rolados pela águas e lixo dos visitantes.

Seria interessante se a trilha fosse consolidada com a colocação de pedras em locais íngremes, pois além de dificultar um pouco o acesso, evitaria o desbarrancamento e a utilização de outras trilha não adequada. Nas próprias árvores poderiam ser fixados corrimãos; pedras de arenito seriam colocadas semi-enterradas e os corrimãos amarrados.

CACHOEIRA DO SONRISAL

A área está descaracterizada na região de acampamentos, com diversas pedras para servir de apoio nas fogueiras.

CACHOEIRA DO PULO

A humanização da paisagem é mínima, exceto pelos que eventualmente rolam pela cachoeira ou são deixados por turistas inconseqüentes. Durante as fortes chuvas, as correntes de água chegam a modificar o banco de areia e as folhas no fundo, no lugar do "pulo".

A trilha de acesso poderia ser consolidada e um corrimão rústico de madeira poderia ser apoiado nas árvores.

MONJOLO DOS PADRES

Foi um monjolo que os Franciscanos instalaram na década de 1940 para fabricar farinha, abastecendo, assim a cidade de Chapada. O produto era disputado no mercado com a fama até em Cuiabá.

Depois de desativado, o local agora é utilizado para moradia, com horta e pequenas criações.

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