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Salgadeira 09/03/2018 16:45 www.youtube.com

Artista interdita obra da Salgadeira que foi "restaurada" sem sua autorização.

Havia uma promessa de que ele seria o autor da restauração, porém, foi surpreendido ao saber que obra já estava "pronta".

 

 

Lidiane Barros de O Livre

Na ocasião, Jonas Corrêa questionou o governador Pedro Taques e o secretário de Cidades Wilson Santos que estavam presentes no local para apresentar as obras à imprensa

Amparado pela lei nº 9.610 que regula os direitos autorais e por sua vez os direitos do autor, o artista plástico Jonas Corrêa contou com exclusividade para o LIVRE que "interditou" o Monumento Carta da Terra a partir desta sexta-feira dia 09 de março de 2018. A escultura com cinco crianças de mãos dadas em torno de um globo é parte integrante da paisagem da Salgadeira, facilmente visualizada por quem passa pela estrada que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães.

O governador Pedro Taques – que convocou a imprensa para visitação às obras de infraestrutura justamente nesta manhã – foi surpreendido com o protesto deste que é um dos artistas mais relevantes na história das artes visuais mato-grossense. O governador concordou com o artista, mas ressaltou que ela não integra o Complexo Turístico, sendo assim, deveria tratar com o responsável por sua contratação, um dos diretores do Colégio Cin.

Ao chegar à Salgadeira, segundo o artista plástico, o secretário de Cidades, Wilson Santos teria pedido a ele que retirasse a lona, mas ele se negou. O secretário teria insistido que ele mesmo retiraria e que talvez, também pediria a retirada da obra pois não integra o complexo, segundo ele. Mas depois voltou atrás e pediu que um dos diretores do Cin resolvesse a pendenga com Jonas. Foi marcada uma reunião para esta sexta-feira, às 16 hs na Salgadeira. "O governo não seria responsável por uma nova contração para restauração, mas moralmente deve ficar atento, pois se trata de um patrimônio histórico", disse o artista. 

A escultura datada de 1998 possui quatro metros de altura e foi feita em concreto e mármore sintético. Dificilmente seria desvinculada da paisagem da Salgadeira, pois está intrinsecamente ligada à história do local e ao cenário.

A decisão do autor de ir até lá nesta manhã coincidiu com a data marcada pelo governador, que anunciou que a Salgadeira será entregue à visitação do público em geral, no aniversário de Cuiabá.  

Jonas, que atualmente mora em Curitiba, vinha mantendo contato com algumas pessoas que haviam feito um primeiro contato anunciando que ele faria a restauração de sua obra, mas nada confirmado. Como a conversa vinha se arrastando e ele percebeu a mudança no tom, veio até à cidade, por conta própria, para checar a situação.

Registro da obra já "restaurada" por outro artista por Haillyn Heiviny - GCom-MT

Foi então, que ao falar ao telefone com algumas autoridades, como o secretário de Cidades, Wilson Santos, foi surpreendido com a informação de que a obra já estava pintada, pronta.

“Me isolaram. Fizeram a intervenção e não procuraram pelo autor da obra. Interditá-la é um direito meu, antes mesmo de acionar a Justiça. E ninguém pode tocar nela se assim eu decidir”. Em uma visita ao local, na quarta-feira (09), ele notou, inclusive, que não constava sua assinatura da obra, como havia inscrito. 

Defensor dos Direitos Autorais

A propósito, Jonas já está habituado à injustiça, mas não ao conformismo. Em 1995, trabalhou por oito meses para esculpir a deusa Themis para a sede do Fórum Cível que ficava no mesmo local onde está o Hotel Paiaguás hoje, porém, não recebeu o combinado.

Ao reclamar os seus direitos, tornou-se inimigo de desembargadores que o acusaram de cometer vandalismo e depredação do patrimônio histórico. Ao ser vítima da situação ponderou sobre sua criação e definiu por “completar” a obra, manchando-a com tinta preta. Esse pode ter sido o primeiro protesto contra o judiciário no país.

Um pouco antes, Jonas tentava processar a extinta empresa Telemat. “Ela reproduziu os primeiros orelhões que criei e desenvolvi em fibra de vidro para diversos lugares do país e do mundo. A ideia tinha sido apresentada com um projeto na Lei Hermes de Abreu. Eles fizeram mais de 1000 cópias, atropelando os direitos autorais totalmente. Conseguiram um registro criminoso, porque não se patenteia obra de arte, se registra e a partir disso, entrei em um processo totalmente desigual. Ganhei no direito e perdi no processual]. Possivelmente por represália à manifestação contra o Judiciário. “O direito está sempre sendo violado e a impunidade continua”.

Outras vezes suas obras foram alvo de intervenção sem seu consentimento. “Em uma destas um amigo foi ‘restaurá-la’. Em uma conversa pediu desculpas e reconheceu que não deveria ter adulterado a obra. Daí, restaurei e deixei para lá por se tratar de um grande amigo meu”.

De acordo com a Lei do Direito Autoral, pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. E ele tem o direito de se opor a quaisquer modificações ou à prática de atos que de qualquer forma possam prejudicar sua obra ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra.

A propósito, Jonas aproveita que está na cidade para restaurar uma de suas diversas obras públicas que ele doou a cidade. Ele tem passado tempo retocando a obra que retrata a chacina do Beco do Candieiro.

Tem um pouco de Jonas e de sua arte crítica e politizada em toda a cidade. E tem um pouco de Jonas em todo o Brasil, já que centenas de suas grandes obras compõem cenários de cidades de vários cantos do Brasil.

Obras cuiabanas comentadas pelo artista:

- Primeira Nação Extinta (Hotel Paiaguás).
Problema de restauração. Um amigo fez uma intervenção, e mais tarde, Jonas teve que refazer o trabalho. O amigo, por sua vez, reconheceu que não deveria ter alterado a obra.

- Deusa Themis (Fórum Cível onde atualmente, está o Hotel Paiaguás).
Eu complementei. Faltava a sujeira do judiciário, fui processado e condenado. Daí a limparam, como se fosse só passar tinta.

- Deusa Themis (Praça da República).
É a mesma justiça do Fórum indo para a praça e sentada no meio do povo. Só que lá ela está como uma prostituta vendendo favores. Criando a impunidade e gerando a crise social.

- Meninos do Beco do Candieiro.
Também era um protesto sobre essa hipocrisia de achar que você resolve os problemas da sociedade eliminando quem você acha que não presta.

- Shopping Três Américas.

Obra muito grande onde sempre tive a liberdade de me expressar e contar um pouco sobre cultura mato-grossense, história crítica e belezas da natureza. Um exemplo que tive de muito apoio e liberdade artística.

Há ainda obras notáveis na Capela Jardins e na loja Grande Oriente do Brasil, em frente ao Hospital do Câncer, dentre outras encomendas particulares.


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