PEQUENO HISTÓRICO DA ESCOLA EVANGÉLICA DO BURITI

PEQUENO HISTÓRICO DA ESCOLA EVANGÉLICA DO BURITI

Professor Melanchton Scheffder*

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A história da Escola Evangélica de Buriti, começou propriamente no ano de 1913, quando a Missão Evangélica Presbiteriana do Brasil Central, enviou um de seus missionários, mais exatamente o reverendo Franklin Graham, em uma viagem cavalo, desde a Bahia até a Bolívia, a fim de escolher nesse percurso os lugares que apresentariam condições favoráveis instalação de futuras sub-sedes da referida Missão. Essas condições diziam respeito ao clima, salubridade , a facilidade de acessos região mais desenvolvidas ou em desenvolvimento, as necessidades do povo, etc.

Um destes lugares escolhidos foi justamente o Buriti, que na época era uma fazenda decadente (em conseqüência da libertação dos escravos) pertencentes a família Siqueira de Chapada dos Guimarães.

Então em 1919,a Missão Evangélica Presbiteriana do Brasil Central enviou dois missionários para comprarem a fazenda Buriti.

Foram eles os reverendos George Landes e Adam Martin.

Nesse tempo os limites da Fazenda Buriti iam até‚ os limites da cidade de Chapada dos Guimarães. Assim a Missão, considerando que era muita terra, resolveu doar para o Estado toda extensão de terra que vai desde antes da Aldeia Velha até as proximidades do perímetro urbano de Chapada. Essas terras tornaram-se devolutas e hoje pertencem a várias pessoas.

Efetuada a compra da fazenda, a Missão contratou o casal Moisés Chaves e D.Davina, de Cuiabá, para administrarem a fazenda e ajudarem os missionários a estabelecerem a nova sede do trabalho missionário, e também a remodelar as antigas instalações da fazenda a fim de servirem como alojamento para os alunos, salas de aulas, refeitório, cozinha, moradia para os missionários e trabalhadores, salão o de cultos Evangélicos e atividades sociais.

A Missão utilizou todas as dependências da antiga fazenda para o início de suas atividades, e preservou essas acomodações até‚ ao dia de hoje, de modo a constituir um monumento histórico.

Em seguida chegou o estimado casal de missionários, Sr.Homero e D. Edite Mosar para dirigirem a fazenda e a Escola. Então em 26 de maio de 1923 deu-se início às aulas. Desse longínquo e histórico primeiro ano letivo participaram apenas quatro alunos: Sr. Alcebíades Arruda, Elias Dias e Manoel Diomedes (todos vivos e residentes em Cuiabá), e a já falecida D.Rita Gonçalves de Oliveira que morava com o casal Moser.

Os primeiros professores dessa época foram o Reverendo Augusto Araújo, que mais tarde foi Pastor da Igreja Presbiteriana de Cuiabá, e D. Júnia Serra. O reverendo Augusto ainda é vivo e D. Júnia já falecida.

No ano seguinte já foram sete alunos (três moças e quatro rapazes), e nos anos subsequentes o número de alunos foi só aumentando.

Enquanto o casal Moser cuidava da Escola e da Fazenda, o Rev. Adam Martin viajava com seu "Fordinho" para evangelizar os vários garimpos destas cercanias, bem como para consolidar as várias Igrejas Presbiterianas já formadas, dando continuidade a seus trabalhos evangélicos.

Desde essa época o endereço da Escola para fins de correspondência foi a caixa postal 41 em Cuiabá.

Em 1927 chegou outra missionária para ajudar a Escola, Diana Hastings, que aqui permaneceu pôr treze anos. Foi ela quem plantou os 2 buritis gêmeos, que vieram a se tornar um dos símbolos da Escola. Ainda em 1927 chegou o Sr. Kurt Freygang, outro grande incansável colaborador desta obra e verdadeiro baluarte da Missão, que ainda hoje permanece em seu posto até o dia de hoje. Primeiramente ele trabalhou aqui de 1927 a 1935 e depois de 1951 até‚ agora, tendo então o permanecido 15 anos fora.

Em 1929 construiu-se o famoso sobrado que durante muitos anos foi o mais vistoso edifício da região, tendo se tornado mesmo um marco da Escola.

No início da Escola Evangélica de Buriti destinava-se a colher os filhos de famílias Evangélicas, e principalmente os de vocação tardia, isto, aqueles que não tendo podido estudar enquanto crianças desejavam fazê-lo agora já adultos. Mas a Escola sempre recebeu de braços abertos toda e qualquer pessoa, de toda e qualquer religião ou condição social, uma vez que o objetivo principal foi sempre o ensino e a propagação do Evangelho Bíblico.

Aliás, este sempre foi o alvo de todas as Escolas Evangélicas fundadas neste país. Como exemplo podemos citar o Mackenzie College (hoje Universidade Mackenzie, que também foi fundada pela mesma missão que fundou Buriti, e que em 1962 foi doado pela Missão da Igreja Evangélica Presbiteriana do Brasil, o Instituto Gammon, juntamente com a ESAL- Escola Superior de Agricultura de Lavras ( que foi a primeira Faculdade de Agronomia fundada no Brasil)o Colégio Benett, o Colégio Grambery, e muitos outros, pêlos quais passaram grandes nomes de nossa pátria. Foi nessas escolas que muitos de nossos intelectuais, puderam ter um contato mais íntimo com o Evangelho e com a Bíblia.

Dentre os missionários americanos que passaram pelo Buriti, os que permaneceram pôr mais tempo e melhor conquistaram a simpatia dos brasileiros foi o casal Homero e Edite Moser. Em Chapada dos Guimarães existe uma avenida chamada Homero Moser, em homenagem a este casal pêlos serviços prestados à nossa terra.

Mas muitos outros passaram pôr aqui, dando a sua contribuição inestimável :Rev. Adam Martin e D. Nettie, D. Anna Hastings, Rev. Ashmun Salley e D. Sara, Rev. Lathan Wrigth e D. Bella, Rev. Jesse Wyant e D. Bárbara, Rev. Albert Edwards e D. Marie, Rev. Donald Reasoner e D. Dorotéia, D. Jean Graham, Rev. Philip Landes e D. Margarida, Rev. Chalmers Browne e D. Paulina, Rev. Gordon Trew e D. Ada.

Buriti recebeu também a colaboração de muitas pessoas da Igreja Presbiteriana de Cuiabá. Entre elas podemos citar: Rev. Augusto Araújo e D. Júnia Serra (já citados anteriormente), D. Elza Dias, D. Tabita Dias, Rev. Eudes Ferrer, D. Léa Salies Fonseca, D.Myriam de Souza, Dr. Moisés Mendes Martins Jr., Prof. Alinor Ferreira.

A partir de 1962 a Missão começou a entregar a direção da Escola aos brasileiros. Tivemos os seguintes diretores: Prof. Raimundo Passos e D. Lívia, Prof. Ary Antonio Nogueira e D.Jean Thomson Nogueira.(este casal deu novo impulso à escola, modernizando-a e construindo novos e amplas instalações, bem adequadas e funcionais) Rev. Adail Carvalho Sandoval e D. Clara, Prof. Eleni Alves Pereira e D. Josenir Gomes da Silva e D. Carmem, e atualmente a Prof. Catarina Rodrigues de Sales Moreira.

Durante o período que se estendeu de 1948 a 1951 a Escola não pode funcionar pôr falta de cooperadores e principalmente pela falta absoluta de comunicação com Cuiabá. Nesse tempo a estrada praticamente deixou de existir, tornando-se intransitável, uma vez que as pontes foram destruídas e muitos trechos se desmoronaram. Assim, somente o jipão da escola podia atravessar os rios e abrir caminhos pelo mato. Nessa época foi então criada a "Sociedade Amigos de Buriti". composta particularmente pôr ex-alunos, e cuja finalidade principal foi não deixar esta obra perecer. Com os recursos arrecadados pôr essa sociedade, a Escola pode recomeçar o seu funcionamento, a partir de l.952, novamente sob a direção do casal Moser.

Em 1.958 foi construída a bela Capela da Escola, também com os fundos levantados pela Sociedade Amigos de Buriti.

A fazenda sempre funcionou paralelamente à Escola, como um meio de subsistência desta. Assim, até o ano de 1.963 os alunos pagavam o estudo e o pensionato, trabalhando nas terras da Fazenda. Desse modo a fazenda produzia praticamente de tudo, para o sustento da Escola, e o excedente era vendido em Cuiabá, onde a Escola já possuía uma freguesia certa. Os produtos burutienses, como a manteiga, o leite, os queijos, as rapaduras e as laranjas, tornaram-se famosos em Cuiabá.

Mas a partir de l.964, com a chagada de alunos menores e que não possuíam experiência de trabalhos rurais, adotou-se o sistema de cobrança de anuidades escolares, de modo que a produção agropecuária da Escola foi decaindo.

Dentre os administradores da Fazenda, destacou-se o Sr. Homero Moser, o Sr. Marcílio Goulart ( hoje residente em Chapada dos Guimarães), o Dr. Erasmo Alves da Silva ( hoje residindo nos Estados Unidos), o Sr. Dreath Palmer, o Sr. Isaias Rezende ( ex-aluno e hoje Deputado Estadual), o Sr. Laercio Chaves, e ultimamente o Sr. Daniel Santos.

Em 1.964 foi inaugurada a rede elétrica da Escola, com energia fornecida pela CEMAT. Desde 1.930 até essa data a energia elétrica da Escola era fornecida pôr um gerador pequeno, que alimentava apenas 40 lâmpadas e que funcionava somente das 6 horas da tarde até as 9 horas da noite. Após esse horário a iluminação era feita pôr meio de velas, lamparinas e lampiões.

Até 1964 os alunos dormiam em redes.

A princípio a Escola oferecia apenas o curso primário e as três primeiras séries do ginásio (que correspondem à quinta ,sexta e sétima series do primeiro grau de hoje). Em 1.967 implantou-se a oitava série e também oficializou-se o ensino ministrado aqui, alem de criar-se o Curso Técnico em Agropecuária e o Curso Técnico de Contabilidade.

Em 1.976,a escola foi transformada em Fundação Educacional jurisdicionada pelas Igrejas Presbiterianas de Cuiabá. Isto deve-se ao fato de a Missão ter encerrado as suas atividades no Brasil, para ir trabalhar em um país mais pobre.

Durante as férias dos últimos anos a Escola tem cedido as suas dependências para a realização dos Cursos de Capacitação de Recursos Humanos, contribuindo assim para o aperfeiçoamento dos professores das regiões rurais de nosso Estado.

Também, a escola sempre cedeu as suas instalações para a realização de Congresso de Igrejas Evangélicas na época das férias.

O lema de nossa Escola o texto bíblico:" Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará" ( Evangelho segundo São João, cap. 8 estrofe 32).

Reconhecemos que não pode haver formação intelectual completa, e muito menos formação de personalidade e de caráter, sem o conhecimento do Evangelho de Jesus Cristo.

* Infelizmente com o passar do tempo, nossa Escola ( como as de mais escolas em regime de internato), foi sendo considerada com um reformatório. Assim, pais que possuíam filhos rebeldes e malcriados, internava-os em Buriti, como castigo e também com a esperança de que eles se corrigissem . Felizmente uma grande maioria deles se regenerou pelo conhecimento do Evangelho, tornando-se pessoas úteis e dignas. Ao verem essa mudança de água para o vinho, mais ainda os pais continuavam a pensar que Buriti realmente era, uma organização que possuía uma fórmula misteriosa para recuperação de pessoas desajustadas, e assim a fama de reformatório ainda continua. Mas, pôr aqui tem passados alunos excelentes, que tem sido orgulho para suas famílias, para a Escola e para a Nação. Parabéns a estes.

Professor Melanchton Scheffder*

*É Professor da Escola Evangélica do Buriti.

 

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